quarta-feira, 22 de março de 2017

QUANDO DEUS REJEITA UM SERVO SEU

Quando o ser humano resolve, de livre e espontânea vontade, entregar a sua vida ao Senhor Jesus e, a partir de então, fazer a Sua vontade, no início as coisas vão muito bem. Tudo é novidade; a fé está em alta e o que se aprende na igreja, logo o novo seguidor de Cristo coloca em prática. Para ele não tem tempo ruim, o primeiro amor está ativo e ele é pau para toda obra.

Funciona mais ou menos assim:

Ninguém vem ao Pai se Este não o tiver escolhido antes (João 15, versículo 16). Há um chamado de Deus e em seguida uma capacitação para que o novo convertido siga em frente, no caminho da salvação, levando a Palavra de Deus para as outras pessoas.

Eu me lembro de quando o Senhor Jesus me tirou de um centro de macumba e me trouxe para o Seu Caminho, dando-me paz, saúde e uma nova vida. Passei 25 anos de minha vida servindo aos encostos e, por conseguinte, tendo uma vida totalmente destruída por eles. Obsessão, doenças, brigas, desempregos, dores, enfim, era um sofrimento diário.

Quando recebi o chamado de Deus, logo obtive vida, saúde, paz e, acima de tudo, salvação. Assim é a vida da pessoa que aceita o sacrifício feito pelo Senhor Jesus na cruz e entrega sua vida para Ele, renunciando a sua própria vontade.

A Bíblia mostra um personagem que aceitou entregar a sua vida para o Senhor dos Exércitos e, logo em seguida foi escolhido pelo povo como sendo o primeiro rei dos Judeus. Esse homem se chamava Saul (1ª Samuel 9).

Saul recebeu a unção de Deus e, por conseguinte, a capacitação para liderar o povo de Israel em toda a sua trajetória.

No início ele era pau para toda obra, fazia a vontade de Deus e obedecia às ordens dadas pelo Profeta Samuel, que era o líder religioso da época.

Mas como acontece com 99% dos evangélicos, o tempo foi passando e Saul foi se achando alguma coisa. Pois é. Ele achava que o simples fato de Deus o ter feito rei já era o suficiente para ele se achar o cara e pensar que não precisava mais obedecer às ordens advindas do Soberano (1ª Samuel 15).

O tempo é o maior inimigo do homem de Deus. Ele faz a pessoa se sentir alguma coisa; faz com que o esfriamento sobrevenha; faz com que o primeiro amor se esfrie; faz com que a fé se apague, ou seja, o tempo é o verdadeiro inimigo do homem de Deus.
Talvez o amigo leitor discorde da minha colocação, mas tenho como parâmetro, os fatos descritos na Bíblia e, principalmente no dia-a-dia da jornada cristã. As estatísticas estão aí, na nossa frente, basta ver na sua própria igreja ou na sua casa, se você mesmo continua sendo aquele mesmo crente de quando iniciou a fé. Duvido!

Na maioria das vezes o orgulho é tão grande que a pessoa que está na situação de Saul toma como primeira atitude discordar dessa colocação, ao invés de admitir que está doente espiritual e que precisa de ajuda.

Saul também era assim. Passou a discordar dos conselhos de Samuel e começou a fazer as coisas do jeito dele. Isso foi o início da sua queda.

Quando a pessoa chega nessa situação, imediatamente há uma rejeição por parte de Deus. Isso mesmo, Deus rejeita o seu escolhido (1ª Samuel 15, vers. 22 e 23).

A pior coisa que pode acontecer na vida de um escolhido é a rejeição. Chego até a chorar só em pensar nessa hipótese. Peço a Deus todos os dias de minha vida, pela sua misericórdia, para que eu não venha me tornar um Saul.

Sei que não estou livre disso, basta apenas deixar o orgulho entrar para que isso possa acontecer. Que Deus me livre; tenho medo só de pensar nessa presunção. Mas faz parte do cotidiano cristão. As igrejas estão cheias de Saul; crentes rejeitados por Deus porque deixaram ser contaminados pelo tempo.

Observe que Saul foi tão contaminado pelo tempo que mesmo com a repreensão e o aviso de Samuel ele não quis reconhecer que estava mal espiritualmente e não se arrependeu, pelo contrário, o orgulho era tão grande, por causa do status que possuía, que ele tentou persuadir o profeta Samuel para que fingisse que nada estava acontecendo com ele e que aparecesse de mãos dadas com ele perante o povo, para que ninguém soubesse de sua rejeição e de sua queda espiritual (1ª Samuel 15, vers. 30 e 31).

O tempo meu amigo e minha amiga. Esse é o grande inimigo do homem de Deus, acredite você ou não.

Quando servi aos encostos, vi, muitas vezes, o demônio chamado exu do tempo falar: “eu tenho a maior paciência do mundo para trabalhar na queda de um servo do homem de branco (ele não falava o nome de Jesus e se referia a ele como homem de branco); não é à toa que me chamo exu do tempo, eu sei esperar” e finalizava com uma enorme gargalhada.

Por isso meu amigo, vamos lutar para que não estejamos nesse percentual de caídos, mas vamos ser humildes para pedir, diariamente, a misericórdia de Deus para que venhamos ser esse 1% dos que continuam na fé, no primeiro amor, obedientes à Palavra de Deus e as ordens dos profetas.

Não deixe que o orgulho estrague o seu chamado e, por conseguinte, a sua salvação. Não cometa os mesmos erros que Saul, para que não venhais a ser rejeitado por Deus.

É o que tem a dizer,

Eudes Borges

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

NÃO ACEITAR AS AFRONTAS

Já diz o ditado popular: “Viver não é fácil”.

Essa expressão traduz as dificuldades que enfrentamos no dia-a-dia, as batalhas, as injustiças, as perseguições, enfim, as afrontas que temos que suportar diariamente.

Quando somos atribulados pelos adversários, é comum ficarmos cabisbaixos e desanimados. Mas a Palavra de Deus serve de alento para toda e qualquer situação nefasta.

Ela nos ensina a nunca achar que Deus nos abandonou, que para nós não há jeito. A Palavra nos ensina também partir para cima das lutas, repreender o diabo e não desanimar.

Existem muitas pessoas que passam pela vida sem prosperar; outras são dominadas por pecados e, apesar de se esforçarem muito, não conseguem livrar-se da vergonha de se sujeitarem aos desejos de Satanás. Por isso meu amigo, não seja mais um em meio à multidão e não deixe a vergonha dominá-lo nem aceite nenhuma sugestão do inimigo.

Toda confusão que o diabo fizer em sua vida não resistirá a oração da fé. A falta de conhecimento de quem somos em Cristo faz com que o demônio aja para nos tirar da eterna felicidade. Deus conhece todos os planos malignos em detalhes, e, se você pedir a ajuda dEle, Ele o porá em liberdade.

Jesus é o salvador e garantiu que tudo o que for pedido ao Pai, em Seu Nome, Ele lhe dará (Jo 14.13). Não aceite que a afronta, a confusão ou a vergonha existam em sua vida, pois o Evangelho realiza o homem por completo.

Como Deus conhece tudo a seu respeito e prometeu responder a todos os seus pedidos, se você abrir o seu coração e entrar em oração, verá que Ele é fiel para cumprir todas as promessas que fez (Hb 10.23). Abraão creu e conseguiu o seu Isaque. Se você crer, conseguirá o que lhe falta também, tendo em vista que o Altíssimo honra a fé daquele que nEle crê.

Tudo o que Deus colocou em Sua Palavra foi para que a fé entrasse em seu coração e, desse modo, você obtivesse a resposta divina. Não há como o Onipotente deixar de lhe conceder o que Ele tem feito você tomar conhecimento. Não é preciso fazer nenhuma promessa para desfrutar do que é seu. Parta pra cima da afronta e veja a glória de Deus na tua vida.

É o que tem a dizer,


Eudes Borges.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A CONCUBINA / AMANTE E SEUS DIREITOS E PRIVILÉGIOS

Antes de tudo é importante esclarecer o que significa concubina, já que não se diferencia, na prática, de amante.

Pois bem. Desde que o mundo é mundo, o homem casa, constitui família e tem-se o intuito de manter esse relacionamento vivo, sem problemas de ordem sexual e afetivo. Contudo, sabe-se que tanto o homem, quanto a mulher são seres carnais, insaciáveis e detentores do livre arbítrio.

Com o passar do tempo, o relacionamento vai esfriando, o casal vai entrando na rotina e, por conseguinte, ocorre o perdimento do encanto sexual existente no início do matrimônio, motivo que leva um dos cônjuges rumo ao relacionamento extraconjugal, com o fito de saciar seu apetite sexual e afetivo.

É justamente essa relação extraconjugal, de forma não eventual, que chamamos de concubinato. Uns chamam de amante, mas para o direito, concubina.

O art. 1.727 do Código Civil define como concubinato as relações não eventuais entre o homem e a mulher impedidos de casar. É importante destacar que nem toda relação onde um dos companheiros é impedido de casar caracteriza o concubinato, pois um deles pode estar separado de fato ou separado judicialmente e ter constituído uma nova família, restando configurada a união estável e não o concubinato.

Os impedimentos do casamento estão previstos no art. 1.521 do Código Civil e no seu inciso VI está a previsão de impedimento de novo casamento para as pessoas que já estão casadas, que não estão separadas de fato, judicialmente ou extrajudicialmente.

É possível se perceber, especialmente através da jurisprudência pátria, que provada a dependência econômica e a entidade familiar, o concubinato passa a ter efeitos positivos para o Direito, logo, a pensão deixada pelo concubino provedor à família amparada pelo casamento na figura do cônjuge sobrevivente deve ser rateada com o mesmo, com o fim de manter sua subsistência e dignidade.

No campo das decisões dos nossos Tribunais temos opiniões para todos os lados, temos os que tratem o concubinato como um negócio jurídico, outros já vem admitindo ao concubinato a possibilidade de geração de direitos e obrigações no plano da assistência social:

 "PENSÃO PREVIDENCIÁRIA - PARTILHA DE PENSÃO ENTRE A VIÚVA E A CONCUBINA - COEXISTÊNCIA DE VINCULO CONJUGAL E A NÃO SEPARAÇÃO DE FATO DA ESPOSA - CONCUBINATO IMPURO DE LONGA DURAÇÃO. Circunstâncias especiais reconhecidas em Juízo. Possibilidade de geração de direitos e obrigações, máxime no plano da assistência social . Acórdão recorrido não deliberou à luz dos preceitos legais invocados . Recurso especial não conhecido" (STJ - REsp 742.685-RJ - 5a Turma - Rel. Ministro José Arnaldo da Fonseca - Publ . em 05.09.2005).

Em contraponto tem-se também decisões contrárias a este  entendimento, do Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal, no qual não é cabível a meação de pensão, vejamos:

“PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIO ESTATUTÁRIO. PENSÃO POR MORTE. ESPOSA LEGÍTIMA E COMPANHEIRA. CONCUBINATO ADULTERINO. CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ART. 226. LEI Nº 9.278/96, ART. 1º. 1 – No presente caso, a esposa do finado servidor público foi obrigada a ratear a pensão por morte com suposta companheira dele (ou "convivente", como estabelece  a Lei nº 9.278/96). Trata-se do chamado concubinato adulterino. 2 –  Dispõe o artigo 226, parágrafo 3º, da vigente Constituição da República que "para efeito de proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar a sua conversão em casamento". 3 – Permitir que suposta amásia de servidor receba pensão pela sua morte, em detrimento da esposa legítima seria permitir o absurdo. A norma constitucional prevê  que a lei deverá facilitar a conversão da união estável em casamento, o que, obviamente, é impossível se um dos conviventes for casado. 4 – Não se pode admitir que uma Constituição que traduz em capítulo especial a preocupação do Estado quanto à família, trazendo-a sob o seu manto protetor, desejasse debilitá-la e permitir que uniões adulterinas fossem reconhecidas como uniões estáveis, hipótese em que teríamos bigamia de direito (TJERJ – AC nº 1999.001.12292). Em uma sociedade monogâmica, o ordenamento jurídico não protege o concubinato adulterino, relação paralela ao matrimônio. A caracterização da união estável depende, inicialmente, da falta de impedimento de ambos os companheiros em estabelecer a relação.” (TRF 2ª Região, AC 262934/RJ, rel. Juiz Antônio Cruz Neto, j. 29/5/2002).

Entende-se assim, que as cortes brasileiras quando lançam mão do instituto da sociedade de fato para proteger a companheira sobrevivente que, de qualquer forma, era responsável, direta ou indiretamente, pela construção do patrimônio do casal, tinha uma parcela de direito sobre esse patrimônio.

Essa tendência cristalizou-se na Súmula 380 do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual “comprovada à existência da sociedade de fato entre concubinos, é cabível a sua dissolução judicial, com partilha do patrimônio adquirido pelo esforço comum.

Assim sendo e, diante da evolução da sociedade, tem-se que o Direito evoluiu para assegurar garantias existentes de fato, nas relações constituídas fora do casamento.

É bem verdade que é doloroso saber e, quase que inaceitável, por parte de uma maioria da sociedade conservadora, que a amante, denominada pelo Direito de concubina, além de “destruir o relacionamento originário”, jamais deveria ser recompensada com garantias patrimoniais, mas se levarmos em consideração, a bem da lógica, essa amante/concubina não seria a única “culpada” da falência do matrimônio oficial/originário e, sim o parceiro que foi em busca da construção da entidade extraconjugal.

Por isso, no sentir deste escritor, essas garantias legais são sim de suma importância para a sobrevivência da amante/concubina e por que não dizer, para punir a companheira originária, por não cuidar do seu relacionamento, pois se seu casamento fosse saudável, jamais o outro cônjuge teria ido em busca de uma aventura fora do matrimônio. É assim que funcionam as coisas, infelizmente.

De forma resumida, é o que se tem a relatar.

Eudes Borges